encantando

1021 Words
Depois de muitas horas de viagem, chegamos a Belém do Pará, descemos em um hangar particular e encontramos Carlos Leal nos esperando. – Que bom que chegaram, Akin e Bakari! – ele aperta as nossas mãos. Dayo desce com Kito no colo. O pequeno acabou dormindo depois de ter brincado um bom tempo com o Bará, que, por sinal, também estava dormindo escondido dentro da caixa de transporte. Bem que Karabá disse que iria conseguir levar para todo lado; as pessoas acham que ele é um cachorro. — Agradecemos pela recepção! — digo, e Carlos dá um sorriso que não chega aos olhos. — Vou levar vocês para a casa que alugamos! — concordamos e fomos. Chegamos ao condomínio e à casa em que iríamos ficar, e realmente era grande. — Você viu a escola que pedimos? — pergunto. – Sim, a minha irmã Adriana viu para vocês. Saindo do condomínio, tem a escola. Como ela é em tempo integral, facilita para o menino e para o pai. Segunda-feira ele começa – Carlos diz, entregando uma pasta. Tinha mandado tudo do Kito para eles resolverem isso. Entrego a pasta para Dayo. – Agradeço isso de vocês! – Tudo bem, mais tarde, se o senhor quiser, podemos vir buscá-lo para um jantar em minha casa, para o senhor conhecer os acionistas. – Seria bom, e segunda já estaria familiarizado com as pessoas. – Ótimo, às 7 mando vir buscar o senhor. – Perfeito! – apertamos a mão e Carlos vai embora. — Vai mesmo nesse jantar? — Bakari me pergunta. – É melhor logo ir conhecendo eles; aí segunda-feira, pelo menos, já vou saber o nome e cara de cada um. – Isso se tu não esquecer 20 minutos depois – ele diz, pegando a mala. — Vou me esforçar para não fazer isso! — pego a minha mala e subimos. Como os quartos eram iguais e o Dayo ficaria no mesmo quarto do filho, facilitou para a gente ficar em qualquer quarto. Do meu quarto conseguia ver um shopping que estava na frente do condomínio. Como não estava com sono, decidi tomar um banho e ir a esse shopping para comprar um vinho para levar para o jantar. Mesmo sendo convidado, preferi fazer isso. Tomo um banho e me arrumo. Coloco uma calça jeans, uma polo e um tênis. Saio a pé mesmo e vou para o shopping. Ando vendo umas lojas e acabo me distraindo com uma loja de animais; tenho que comprar algumas coisas para aquele monstrinho. — Não quero ir! — alguém esbarra em mim e, por reflexo, acabo segurando a pessoa. Quando olho para a pessoa, vejo os mesmos olhos cor de mel. — Desculpa — a mulher diz e depois franze a testa. — Akin? — A gente se conhece? — ela levanta uma sobrancelha. — Ah, que triste você me esquecer? — ela fala com deboche, e acabei rindo. – Carla? — Ah, que bom que não me esqueceu. Agora pode me soltar! — Solto-a, nem tinha percebido que ainda estava com ela nos braços. – Desculpa. — Tudo bem, sei que sou irresistível — ela diz, rindo e fazendo um cacho no cabelo com o dedo. Acabei rindo. – E muito convencida também. – Pois é, vai entrar? – ela aponta para a loja. – Vou sim, tenho que comprar um negócio pro meu monstrinho. — Então, bora, tenho que comprar umas coisas para os meus também — ela envolveu os braços dela no meu e me arrastou para dentro da loja. – Não lembro de você ser assim. — Ah, quando fui para Joanesburgo, estava a trabalho; hoje está me vendo a lazer — acabei rindo. — Ainda bem que hoje é sexta. Oi, Letícia, me vê os de sempre? – Oi, Carlinha, como está? — Tô bem! — ela diz, sorrindo, e depois vira para mim. — Bom, o n***o aqui vai querer... — ela para e me olha. — Vai querer o quê mesmo? — Carla, não me diz que tu arrastaste alguém para cá de novo? — ela faz uma cara de ofendida. — Olha, foi só uma vez, e aquela senhora, era pombalesa, que não estava com aquele cachorro horroroso. — Acabei rindo do que ela diz. — Moço, desculpa, ela doida — Carla faz um bico e revira os olhos. Aí mesmo que acho graça. – Quero brinquedos bem resistentes, muito resistentes mesmo. — Teu cachorro destrói as coisas rápido? — Carla me pergunta. – Na a realidade é um texugo – as duas arregalam os olhos. — Texugo? — as duas falam juntas. – Sim, um texugo-do-mel. – Quero ver ele – Carla diz, acabei rindo da cara que ela faz. – Te levo para ver ele. – Carla! – Conheço ele Letícia, te acalma – a moça respira aliviada. – Tenho alguns brinquedos bem resistentes, mas não sei se vai passar por um texugo-do-mel. – Poderia ver? — Separa as minhas coisas, que levo ele na sessão dos brinquedos — Carla diz, e Letícia concorda com a cabeça. Carla, me leva para umas gôndolas que têm vários brinquedos. — Vem muito aqui? — pergunto, e a Carla vira para mim e olha dentro dos meus olhos. Fico olhando para ela. Carla é bem baixa para mim, tem olhos castanhos cor de mel, cabelos cacheados compridos em algum tom de vinho, pele morena clara, o rosto dela é meio redondinho e ela é gordinha. – Tem quanto de altura? 1.70? – ela levanta uma sobrancelha. –1.60, e sim, venho muito aqui. Aqui tem os ratinhos que preciso. – Ratos? – Pra arco. – Seria...? – uma cobra – Tu tens uma cobra? – Sim, é uma gata e um filhote de cachorro. – Ela olha para uns brinquedos. – Tu gostas de bicho! – São melhores que gente, acho que esses aqui dariam para um texugo – ela começa a colocar alguns brinquedos nos meus braços. – Ele tem quanto tempo? — Não sei, mas ele é pequeno — Carla vira para mim e fico encantado com os olhos dela. OS OLHOS DELA ME ENCANTARAM.
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