Depois de muitas horas de viagem, chegamos a Belém do Pará, descemos em um hangar particular e encontramos Carlos Leal nos esperando.
– Que bom que chegaram, Akin e Bakari! – ele aperta as nossas mãos. Dayo desce com Kito no colo.
O pequeno acabou dormindo depois de ter brincado um bom tempo com o Bará, que, por sinal, também estava dormindo escondido dentro da caixa de transporte.
Bem que Karabá disse que iria conseguir levar para todo lado; as pessoas acham que ele é um cachorro.
— Agradecemos pela recepção! — digo, e Carlos dá um sorriso que não chega aos olhos.
— Vou levar vocês para a casa que alugamos! — concordamos e fomos.
Chegamos ao condomínio e à casa em que iríamos ficar, e realmente era grande.
— Você viu a escola que pedimos? — pergunto.
– Sim, a minha irmã Adriana viu para vocês. Saindo do condomínio, tem a escola. Como ela é em tempo integral, facilita para o menino e para o pai. Segunda-feira ele começa – Carlos diz, entregando uma pasta.
Tinha mandado tudo do Kito para eles resolverem isso.
Entrego a pasta para Dayo.
– Agradeço isso de vocês!
– Tudo bem, mais tarde, se o senhor quiser, podemos vir buscá-lo para um jantar em minha casa, para o senhor conhecer os acionistas.
– Seria bom, e segunda já estaria familiarizado com as pessoas.
– Ótimo, às 7 mando vir buscar o senhor.
– Perfeito! – apertamos a mão e Carlos vai embora.
— Vai mesmo nesse jantar? — Bakari me pergunta.
– É melhor logo ir conhecendo eles; aí segunda-feira, pelo menos, já vou saber o nome e cara de cada um.
– Isso se tu não esquecer 20 minutos depois – ele diz, pegando a mala.
— Vou me esforçar para não fazer isso! — pego a minha mala e subimos.
Como os quartos eram iguais e o Dayo ficaria no mesmo quarto do filho, facilitou para a gente ficar em qualquer quarto.
Do meu quarto conseguia ver um shopping que estava na frente do condomínio.
Como não estava com sono, decidi tomar um banho e ir a esse shopping para comprar um vinho para levar para o jantar. Mesmo sendo convidado, preferi fazer isso.
Tomo um banho e me arrumo.
Coloco uma calça jeans, uma polo e um tênis.
Saio a pé mesmo e vou para o shopping.
Ando vendo umas lojas e acabo me distraindo com uma loja de animais; tenho que comprar algumas coisas para aquele monstrinho.
— Não quero ir! — alguém esbarra em mim e, por reflexo, acabo segurando a pessoa.
Quando olho para a pessoa, vejo os mesmos olhos cor de mel.
— Desculpa — a mulher diz e depois franze a testa. — Akin?
— A gente se conhece? — ela levanta uma sobrancelha.
— Ah, que triste você me esquecer? — ela fala com deboche, e acabei rindo.
– Carla?
— Ah, que bom que não me esqueceu. Agora pode me soltar! — Solto-a, nem tinha percebido que ainda estava com ela nos braços.
– Desculpa.
— Tudo bem, sei que sou irresistível — ela diz, rindo e fazendo um cacho no cabelo com o dedo. Acabei rindo.
– E muito convencida também.
– Pois é, vai entrar? – ela aponta para a loja.
– Vou sim, tenho que comprar um negócio pro meu monstrinho.
— Então, bora, tenho que comprar umas coisas para os meus também — ela envolveu os braços dela no meu e me arrastou para dentro da loja.
– Não lembro de você ser assim.
— Ah, quando fui para Joanesburgo, estava a trabalho; hoje está me vendo a lazer — acabei rindo. — Ainda bem que hoje é sexta. Oi, Letícia, me vê os de sempre?
– Oi, Carlinha, como está?
— Tô bem! — ela diz, sorrindo, e depois vira para mim. — Bom, o n***o aqui vai querer... — ela para e me olha. — Vai querer o quê mesmo?
— Carla, não me diz que tu arrastaste alguém para cá de novo? — ela faz uma cara de ofendida.
— Olha, foi só uma vez, e aquela senhora, era pombalesa, que não estava com aquele cachorro horroroso. — Acabei rindo do que ela diz.
— Moço, desculpa, ela doida — Carla faz um bico e revira os olhos. Aí mesmo que acho graça.
– Quero brinquedos bem resistentes, muito resistentes mesmo.
— Teu cachorro destrói as coisas rápido? — Carla me pergunta.
– Na a realidade é um texugo – as duas arregalam os olhos.
— Texugo? — as duas falam juntas.
– Sim, um texugo-do-mel.
– Quero ver ele – Carla diz, acabei rindo da cara que ela faz.
– Te levo para ver ele.
– Carla!
– Conheço ele Letícia, te acalma – a moça respira aliviada.
– Tenho alguns brinquedos bem resistentes, mas não sei se vai passar por um texugo-do-mel.
– Poderia ver?
— Separa as minhas coisas, que levo ele na sessão dos brinquedos — Carla diz, e Letícia concorda com a cabeça.
Carla, me leva para umas gôndolas que têm vários brinquedos.
— Vem muito aqui? — pergunto, e a Carla vira para mim e olha dentro dos meus olhos.
Fico olhando para ela. Carla é bem baixa para mim, tem olhos castanhos cor de mel, cabelos cacheados compridos em algum tom de vinho, pele morena clara, o rosto dela é meio redondinho e ela é gordinha.
– Tem quanto de altura? 1.70? – ela levanta uma sobrancelha.
–1.60, e sim, venho muito aqui. Aqui tem os ratinhos que preciso.
– Ratos?
– Pra arco.
– Seria...?
– uma cobra
– Tu tens uma cobra?
– Sim, é uma gata e um filhote de cachorro. – Ela olha para uns brinquedos.
– Tu gostas de bicho!
– São melhores que gente, acho que esses aqui dariam para um texugo – ela começa a colocar alguns brinquedos nos meus braços. – Ele tem quanto tempo?
— Não sei, mas ele é pequeno — Carla vira para mim e fico encantado com os olhos dela.
OS OLHOS DELA ME ENCANTARAM.