qual desejo?

924 Words
Akin Fico olhando a Carla comer com tanto gosto que acabo rindo. Estamos na rede e ela com as pernas por cima das minhas; ela come um pouco e depois me dá. — Que foi que está me olhando assim? — Carla diz, colocando um pedaço de brownie e sorvete na minha boca. – Já fez isso com alguém antes? – Já sim. — Com quem? — ela come um pouco, se levanta e vem com celular e me dar. — Olha aí! — ela me dá mais um pedaço. Vejo as fotos dela e está ela dando um pedaço de bolo com sorvete na boca de duas outras mulheres e nas dos meninos. Basicamente, as fotos delas são só essas 4 pessoas. – Quem são elas? – Minhas amigas – Carla vira, deitando com as costas no meu peito. – Essa aqui é a Grazy – ela aponta para uma mulher n***a, gordinha, de cabelo liso. – E essa outra aqui é a Arlane – ela aponta para outra que tem cabelos longos e cacheados; ela é branca e usa óculos. – E tem a Mel, mas aquela ali não conseguimos bater fotos dela, e quando conseguimos, é para algo mega importante. Se não for – ela vai procurando nas galerias de fotos dela. – Tá aqui, essa é a Mel – ela aponta para uma outra branquinha, de cabelo liso e também usa óculos. – A gente é o quarteto fantástico – ela vira rindo e me dá mais um pedaço de brownie. — Vou conhecê-las? — Vai sim — ela me olha. — Na realidade, elas querem fazer uma sabatina com você. — Como assim? – Desde que voltei de Joanesburgo, falei de ti – olho sério para ela, enquanto eu nem lembrava dela e ela falava de mim. – Falou o que de mim? – que tinha gostado de alguém e, como ainda estava na fase de negociação e depois foi confirmado que viria, dei uma leve surtada, mas as meninas falaram que, se fosse para ser, seria, e depois fui acalmada e vim sabendo de algumas coisas. – Já foi casada? — Não, namorei poucas vezes — Carla dividiu o último pedaço, colocou na minha boca e depois comeu, deixando o pirex no chão. Ficou deitada no meu peito, envolvi meus braços nela, fiquei embalando a gente. – Parece que já fiz isso com você várias vezes. – Humm... Já foi casado? — Não, tentaram me casar uma vez, mas não deu certo. — Como assim? — ela levanta a cabeça e me olha. – Minha mãe, antes de falecer, tinha me prometido para a filha da amiga dela, só que fizeram um negócio lá que não lembro, em que falaram que, se a gente ficasse junto, só iria trazer desgraça para nós dois, e aí foi esquecido. – Entendi – os olhos da Carla ficam escuros. – Ficou com raiva? — Não, por quê? – Seus olhos ficaram escuros. – Mas não fiquei com raiva. – Ciúmes? — Pode ser. – Por quê? – Por que acha? — Você ficou com ciúmes por algo que aconteceu quando tinha 16 anos? – Não gosto de imaginar certas coisas, mas também tenho que entender que, se eu tenho experiência em certas coisas, você também tem que ter. — Tenho que concordar — ela deita no meu peito de novo e envolvo meus braços nela. — Percebeu que estamos igual a um casal, mas ainda nem nos beijamos? – Quem tem que tomar atitude é o homem. – Ela tinha razão. – Mas, quando disse que te queria para mim, você quase morreu de tanto tossir. – Te falei um motivo. – Então quer dizer que posso te beijar? — Pode — segurei o rosto dela. Carla ficou vermelha na hora; acabei rindo. – Tu me enfeitiçaste com teus olhos. — Foi? — Foi – vou me aproximando dos lábios dela. Começo com selinhos e depois vou aprofundando mais o beijo. Carla retribui na mesma intensidade e não vou negar que me deixou muito e******o. Carla para o beijo e ficamos nos encarando. – A gente não pode passar disso. – Por quê? Você não quer? — Quero e como quero, mas os meninos estão aí. — Tinha esquecido totalmente dos sobrinhos dela. – Verdade! – puxo ela para mim. – Desculpa. — Não precisa pedir desculpas, não tem problema. – Tá bom – volto a nos embalar na rede. — Me conta um desejo teu. — Carla levanta um pouco e depois senta. Coloco a cabeça de lado e fico olhando para ela. — Eu queria ser cuidada. Eu queria chegar em casa e não precisar pensar em tudo. Queria que alguém perguntasse: "Você comeu?" "Como foi seu dia?" "Quer que eu resolva isso?" Queria receber cuidado sem precisar estar doente, queria colo sem precisar estar chorando. Queria descanso sem precisar estar exausta. Queria atenção sem precisar reclamar. Mas existe uma parte de mim que sente vergonha de admitir tudo isso. Porque eu construí uma imagem de mulher que consegue fazer tudo sozinha. E, às vezes, parece mais fácil continuar sendo forte do que Admitir: "Eu queria que alguém cuidasse de mim." Carla fala isso com um tom de voz que não consigo identificar o que seria. Puxo-a para mim e abraço-a forte. – Se você me aceitar na sua vida, você não vai precisar pedir nada disso. – Estamos namorando? — Vou fazer um pedido decente — Carla se aninhou nos braços. Essa feiticeira ganhou mais um de mim.
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