Mary era uma pessoa perfeita. Muito atenciosa com os pais e irmãos, na escola a melhor aluna, socialmente irrepreensível, nunca existiu alguém tão perfeito quanto ela. Principalmente se considerarmos a família estranha que a gerou: avós cruéis, tios sacanas, pais ausentes, irmã depressiva e primos de comportamento quase ilegal. Era confortável ser Mary; a família admirava aquela espiga de milho nascida em meio a um cafezal e se vangloriava de tão magnífico feito. Menina loirinha, grandes olhos verdes, carinha de anjo e pensamentos herdados de algum espírito evoluído reencarnado naquela família tão normal. Talvez com uma missão, ou não. Mary cresceu e se tornou uma linda mulher, formou-se em Direito, mas antes de formada, já havia sido aprovada em concurso público para o Banco do Brasil, o

