O Olhar do Dono: A Lei da Muralha e o Dízimo de Sangue O sol tava começando a castigar o zinco do telhado com aquela força de janeiro, e o gosto daquele café requentado na caneca de alumínio parecia que eu tava bebendo asfalto líquido, amargo e quente. Eu tava ali no topo da sede, sentado no meu trono de plástico, vendo a Muralha acordar na atividade: os batedores rendendo o turno, o cheiro de pão francês subindo dos becos e o radinho chiando a primeira contagem do dia. Mas o meu pensamento tava travado, ancorado lá embaixo, naquele cheiro de éter, antisséptico e morte iminente do posto de saúde. Puxei o fumo com força, sentindo a brasa queimar perigosamente perto do filtro, e soltei a fumaça devagar, vendo ela sumir no mormaço que subia da laje. A imagem da Sara toda estragada na maca,

