🦈 NARRAÇÃO: TUBARÃO Eu tava descendo a ladeira na maior postura, sentindo o sol da tarde castigar a carcaça e o asfalto quente subir pelas botas, mas mantendo o pique de quem manda no pedaço e não abaixa a guarda nem pro sol. O radinho na cintura não parava de chiar, era o bonde da montagem ajustando os últimos detalhes pros paredões de som que iam fazer o morro tremer, e eu tava ali, no meio daquele mormaço sufocante, fazendo a ronda que o Gigante mandou pra deixar a Muralha blindada pro baile. O clima tava elétrico, cheiro de pólvora e expectativa no ar. Dobrei a esquina perto do beco do sossego, onde a sombra é curta e a fofoca é longa, e o meu motor deu um solavanco que quase me fez perder o tempo do passo e a marra de bandido. Lá tava ela. A Raquelzinha subindo a ladeira, o sol bate

