NARRAÇÃO: MARCOS O estrondo na porta fez o vidro da janela vibrar e o meu juízo latejar. A voz do Tubarão lá fora era o som do cronômetro da minha morte. Merda! Merda! Se eu não abrir agora, aquele animal derruba a porta no chute e a primeira coisa que ele vai ver é o "Doutor Esperança" ajoelhado com uma seringa na jugular de outro médico. — O que eu faço? O que eu faço com você? — rosnei, as palavras saindo atropeladas pela adrenalina. O Bruno me olhava com os olhos saltados, o suor misturado com as lágrimas ensopando a gola do jaleco dele. — Marcos, pelo amor de Deus... eu juro! — ele sussurrou, a voz morrendo no pânico. — Eu pego minha mulher, meu filho... a gente some hoje mesmo! Vou pra casa do meu sogro no interior, mudo de nome, não falo nada pra ninguém, nem pro Golias, nem pra

