O ar dentro do camarote principal da Arena da Muralha era uma mistura densa de tabaco cubano, perfume árabe caro e o cheiro metálico de poder. Eu tava ali, sentado no meu trono de couro legítimo, sentindo o peso bruto do ouro 18k no meu pescoço, cada elo daquela corrente lembrando o preço que eu paguei pra ser o dono da p***a toda. O gosto amargo do charuto Cohiba dançava na minha boca, um sabor de vitória que só quem saiu do esgoto pra dominar o asfalto conhece. A Muralha lá embaixo não era só uma favela; era um organismo vivo, um coração de ferro que pulsava conforme o meu comando. O grave do 150 bpm, seco e agressivo, fazia o meu copo de cristal vibrar na mesa de mármore, mas o meu foco não tava na festa. Meu foco tava no tabuleiro de xadrez humano que eu tinha montado praquela noite.

