NARRAÇÃO: GOLIAS O sol nasceu fritando o asfalto da Muralha, aquele mormaço de rachar o crânio que faz a laje pedir socorro e o suor escorrer frio pelo meio das costas, mas o clima aqui no topo é de guerra e comemoração, papo de visão total. Eu tava parado no bico do camarote principal, o lugar sagrado onde o grave bate mais forte, fazendo o peito vibrar, e onde o meu ódio vira poder absoluto na minha mão. Olhei pra baixo, pro formigueiro humano lá no pátio, e vi a engrenagem do morro girando no puro proceder: os moleques suando a camisa pra montar os paredões de som que vão fazer o juízo da elite tremer, os fardos de uísque importado subindo a ladeira no lombo dos vapor e a contenção já posicionada em cada acesso estratégico, de fuzil transversal, dedo no gatilho e radinho na cinta, gara

