NARRAÇÃO: MARCOS Girei a chave da porta do consultório e o clique metálico da fechadura ecoou como um tiro de misericórdia no meu juízo. Eu estava em frangalhos, o puro suco da derrota. A joelhada que o Tubarão me aplicou lá fora tinha deixado um rastro de brasa viva queimando no meu abdômen, e cada respiração era uma briga feia contra o desmaio. Apoiei as costas na madeira fria da porta, sentindo a vibração do morro lá fora, e deixei meu corpo escorregar até o chão de linóleo. O suor frio ensopava a gola do meu jaleco, e a humilhação... p***a, a humilhação queimava mais que a dor física. Eu, o cara que saiu do barro pra virar doutor, o herdeiro da linhagem do Lobo, sendo tratado como um lixo qualquer por um carniceiro fardado de comando. — Desgraçados... — sibilei, cuspindo um resto de

