O efeito do remédio tava passando e a dor no bucho começou a me buscar no meio do sono, uma fisgada fdp que parecia um gancho de açougueiro me puxando de volta pra realidade. Abri os olhos devagar e o quarto tava naquela penumbra pesada, só com um filete da luz da lua atravessando a fresta da cortina blindada da Fortaleza. Senti um peso morno, macio e vivo em cima de mim. Por um segundo, meu instinto de guerra gritou "bote", minha mão buscou o ferro que não tava lá, mas o cheiro de perfume doce e feminina travou meu sistema na hora. Olhei pra baixo e o choque foi mais forte que qualquer bala de fuzil que já atravessou minha carcaça. A Sara não tava na poltrona. A doutorinha devia ter cochilado e, no meio da madrugada, o corpo dela buscou o calor da única coisa viva naquele quarto de gelo:

