NARRAÇÃO: SARA — Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio! — Gritei mas o Golias já tinha sumido na escuridão da favela, fundido com as sombras da Muralha, me deixando sozinha com o eco da minha própria humilhação rebatendo nas paredes descascadas do quarto. Eu tava de joelhos no chão frio, as mãos cravadas no tapete encardido até as unhas doerem e o sabugo reclamar. O ódio tava circulando no meu sangue como se fosse o próprio veneno que eu tanto queria; era uma raiva cega, uma queimação que subia do estômago e me fazia querer arrancar a pele onde as palavras dele tocaram. Ele não só me invadiu fisicamente com aquele beijo bruto que ainda queimava nos meus lábios inchados; ele invadiu o meu juízo, chutou as portas da minha dignidade e pisou em cima de tudo o que eu construí com as suas bot

