Conspiração

1916 Words
Capítulo 004: Conspiração Muito antes do casamento de Atthy. Dentro da residência privada da Rainha Silvia, um silêncio pesado preenchia o ar. O amplo salão, mobiliado com peças de madeira escura e envelhecida, raramente recebia visitantes. Apenas aqueles que possuíam grande influência dentro do reino tinham permissão para entrar naquele lugar. Naquele dia, havia apenas três pessoas. Grão-Duque Margrave. Príncipe Davion. E a Rainha Silvia. Uma nobre mulher com uma mente afiada — e ambições ainda mais afiadas. "Skythia caiu", disse Silvia. Sua voz era calma, porém carregada de pressão. "A vitória de Hugh Griffith é um problema que não podemos ignorar. Isso é apenas o começo. Skythia já está em suas mãos, e ele não vai parar por aí." O Príncipe Davion, sentado à direita de seu avô, fez um leve aceno de cabeça. "Griffith está ficando mais forte", disse ele. "Com Skythia sob seu controle, sua influência se expandiu não apenas pelos territórios fronteiriços, mas também dentro do próprio reino. Se não agirmos agora, ele se tornará uma ameaça muito maior." Margrave permaneceu sereno. "Davion, você entende nossa posição", disse ele. "Precisamos de mais do que uma reivindicação ao trono." "Precisamos de influência." Seu olhar se tornou mais intenso. "Griffith está construindo seu poder além do palácio." "Enquanto nós..." "...controlamos o coração do reino." "Não podemos permitir que esse equilíbrio mude." Silvia recostou-se lentamente em sua cadeira. "O trono ainda está sob nosso controle." "Tudo o que precisamos é do próximo movimento." Um leve sorriso surgiu nos lábios de Margrave. "E esse movimento está além do reino." "Precisamos de alguém que possamos controlar dentro do território de Griffith." "Um peão sacrificável", murmurou Silvia. "Alguém ousado o suficiente para entrar no domínio de Griffith..." "...mas ingênuo o bastante para não perceber que está sendo usado como uma peça de xadrez." Margrave fez um lento aceno de cabeça. "Então, tudo o que precisamos fazer é encontrar a pessoa certa." Pouco tempo depois... Um homem pediu permissão para entrar. Visconde Darius Malenor. Ele aproximou-se de Silvia com passos calculados. Seus olhos estavam cheios de estratégia. Ele sabia que a Rainha estava procurando uma maneira de fortalecer sua posição. E ele havia chegado trazendo uma oportunidade. "Vossa Majestade", disse ele, fazendo uma reverência respeitosa. "Ouvi dizer que Vossa Majestade procura alguém capaz de oferecer apoio estratégico." Silvia não demonstrou nenhuma reação. "Eu acredito", continuou o Visconde, "que posso oferecer mais do que apenas apoio." Silvia ergueu uma sobrancelha. "E exatamente o que você está oferecendo?" "Eu compreendo a situação política da capital." "Também compreendo a rivalidade entre o Clã Griffith e o Clã Margrave." O Visconde fez uma pausa antes de continuar. "Todos estão observando a disputa entre eles." "Eu vejo uma abertura." Silvia permaneceu em silêncio. Seus olhos avaliavam cada movimento do homem diante dela. "Você acha que eu preciso de alguém como você?", perguntou ela friamente. "Eu apenas desejo informar Vossa Majestade que possuo conexões que podem se provar úteis", respondeu o Visconde com calma. "Eu sei como me mover sem chamar atenção." "Nem a atenção dos inimigos..." "...nem mesmo a de Vossa Majestade." Silvia estreitou os olhos. "Não tenho interesse em jogos que carregam riscos excessivos." "Então, o que torna sua oferta diferente de simples rumores vazios?" Um leve sorriso apareceu no rosto do Visconde. "Porque, às vezes..." "...o maior risco não está em aceitar uma oportunidade." "Está em deixá-la escapar." Silvia não respondeu imediatamente. Entretanto, em sua mente, ela percebeu uma coisa. O Visconde Darius Malenor não era apenas um nobre menor buscando ganhos pessoais. Ele era um homem que sabia exatamente quando se oferecer ao lado certo. Peão Dentro da sala privada de reuniões, os três permaneciam sentados calmamente. Suas posturas continuavam elegantes, porém a vigilância preenchia o ambiente. Margrave tomou um gole de vinho antes de falar com um tom levemente sarcástico. "Visconde Darius Malenor..." "Um pardal voando mais alto do que o vento destinado a carregá-lo." "É apenas uma questão de tempo até que ele se canse e caia." Davion sorriu de canto. "Pequeno demais para este céu." "Ele quer voar alto..." "...mas suas asas são frágeis demais." Silvia apoiou o cotovelo sobre a mesa. "Até mesmo um pardal pode bicar se baixarmos nossa guarda." Seu olhar alternou entre os dois homens. "Ele pode ser um recém-chegado." "Mas essa língua prateada dele já alcançou os ouvidos de pessoas influentes." Margrave soltou uma risada baixa. "Ele pode cantar o dia inteiro." "Isso não mudará nada." "Deixe-o bater suas asas." "Nós controlamos ventos muito maiores." Davion balançou lentamente a cabeça. "Não é isso que me preocupa." "Se fosse apenas ambição, ele não seria uma ameaça." "Mas ele sabe para onde voar." Silvia olhou para ele com intensidade. "O que quer dizer?" Davion tocou a ponta do dedo contra a mesa. "Um homem como ele não encontraria repentinamente coragem para falar diretamente diante da Rainha." Ele fez uma breve pausa. "Alguém está empurrando-o." "Ou..." "...alguém ensinou a ele como ler o vento." A sala mergulhou em silêncio. Até mesmo Margrave, que momentos antes parecia relaxado, começou a refletir. Silvia finalmente rompeu o silêncio. "Se ele é um rato ou não..." "...não podemos baixar nossa guarda." "Na maioria das vezes, os mais perigosos são aqueles que melhor sabem se esconder." Margrave terminou seu vinho. "Então..." "Deixemos o pequeno pardal voar." "Se ele esquecer quem realmente é..." "...nós quebraremos suas asas." Confronto dos Três Condes Em uma câmara iluminada apenas pela luz das velas, três nobres influentes estavam sentados ao redor de uma mesa redonda esculpida em madeira n***a. O aroma do vinho envelhecido misturava-se ao cheiro do incenso queimando. O Conde Markus Hazen foi o primeiro a falar. "Visconde Darius Malenor." Um leve sorriso surgiu em seu rosto. "Um novo peão no tabuleiro." "Estou curioso..." "...sobre o que Margrave enxerga nele além de uma ambição bruta." O Conde Frendel Belatrix soltou um leve suspiro de desdém. "A ambição bruta é justamente o que é mais fácil de usar." "Ele vem de Nauruan." "Um território remoto que m*l merece a atenção da nobreza." "Mas agora..." "...ele quer entrar em nosso círculo." Frendel sorriu levemente. "Eu quase admiro sua coragem." "Ou talvez..." "...sua tolice." O Visconde Dalmar Yegev, que havia permanecido em silêncio até aquele momento, finalmente falou. "Coragem e tolice são separadas apenas pelo resultado final." Ele girou o vinho em sua taça. "Mas uma coisa é certa." "Margrave nunca aposta um peão sem motivo." Seus olhos se estreitaram. "O que eu quero saber..." "...é se Darius é apenas um peão." "Ou a isca." Markus bateu levemente os dedos contra a mesa. O ritmo era lento. Constante. "Darius é frágil demais." "Um movimento errado..." "...e ele será destruído antes de alcançar seu objetivo." Frendel abriu um sorriso. "É para isso que servem os peões." "Fáceis de mover." "E ainda mais fáceis de sacrificar." "Resta apenas uma pergunta." "Quando o jogo começa?" Dalmar tomou outro gole de vinho. "Deixaremos o jogo seguir seu curso." "Mas se Margrave acredita que pode usar esse peão sem consequências..." "...então ele está subestimando seus oponentes." Markus olhou para seus dois companheiros. "Nós observaremos." "Deixem Darius ir o mais longe que puder." "Deixem que ele acredite que se tornou um jogador." Um sorriso lento se formou em seu rosto. "E somente então..." "...mostraremos a ele que nunca foi nada além de um peão." Frendel ergueu sua taça. "Aos que entendem o jogo." "E aos que serão destruídos pela própria arrogância." As três taças se chocaram suavemente. Dentro daquela sala, a vitória era celebrada antes mesmo que a guerra tivesse começado. Persuasão Suave A sala de reuniões dentro da Mansão do Barão Galina esforçava-se para transmitir elegância. Um tapete de um vermelho profundo cobria o chão. As paredes eram adornadas com retratos da família Galina, como se estivessem determinadas a proclamar seu status nobre. A luz das velas aquecia o ambiente, porém o luxo parecia forçado — mais uma tentativa de esconder limitações do que uma demonstração de verdadeira grandiosidade. O Visconde Darius Malenor entrou com passos calmos e calculados. Um leve sorriso repousava em seus lábios. Seus olhos estavam cheios de estratégia. Seus dedos tocaram casualmente a borda de uma de suas luvas — um gesto sutil que revelava um homem acostumado a manter o controle. O Barão Galina imediatamente se levantou. "Ah, Senhor Visconde! É uma honra para esta casa receber sua visita." Seu entusiasmo era exagerado. Quase como um ator interpretando em um palco. O Visconde inclinou levemente a cabeça. "Barão Galina." "A honra é inteiramente minha." Seu olhar percorreu a sala. "Sua mansão possui uma atmosfera bastante... distinta." O Barão não percebeu o sarcasmo. Em vez disso, sorriu com orgulho. "Obrigado. Eu sempre me esforço para manter os padrões aristocráticos, embora os desafios estejam longe de ser poucos." Ele convidou seu visitante a se sentar. "Temos muito para discutir." Eles se sentaram frente a frente. O Visconde deliberadamente permitiu que o silêncio permanecesse. Seu olhar imóvel observava o Barão. Enquanto isso, o Barão segurava sua taça de vinho com um pouco mais de força do que o necessário. "Nosso plano está prosseguindo conforme o esperado", disse finalmente o Visconde. "O Grão-Duque Margrave aceitou a proposta para que Athaleyah se case com o Duque Hugh Griffith." "Um movimento que fortalecerá a posição da família Galina." O rosto do Barão imediatamente se iluminou. "Maravilhoso!" "Eu sabia que esse plano teria sucesso." "Athaleyah é a joia da nossa família." "Ela se tornará a Duquesa perfeita." "O Conde Veraga certamente se arrependerá de ter me subestimado." O Visconde permitiu que o Barão saboreasse seu orgulho por um momento. Então sua voz tornou-se mais fria. "No entanto, preciso lembrá-lo de algo." "Isso não se trata apenas da honra da Casa Galina." "Você está desempenhando um papel na estratégia do Grão-Duque Margrave." O Barão assentiu imediatamente. "É claro." "Vou garantir que tudo prossiga sem problemas." "Você sabe que sempre fui leal." "Eu nunca duvidei da sua lealdade." O olhar do Visconde tornou-se mais severo. "O que eu duvido..." "...é da sua cautela." O Barão permaneceu em silêncio. "Quanto maior o plano..." "...mais olhos estarão observando." "Um único erro..." "...é suficiente para se tornar uma arma contra nossos inimigos." O Barão riu sem jeito. Soou forçado. Ele tomou um gole de vinho para esconder seu nervosismo, porém seus dedos ainda tremiam quando colocou a taça de volta sobre a mesa. "É claro... eu entendo." "É tudo pelo nosso interesse mútuo." "E naturalmente..." "...pelo Grão-Duque Margrave." O Visconde assentiu. "Bom." "Há mais uma coisa." "O Conde Veraga pode tentar atrapalhar tudo." "E Athaleyah..." "...deve ser devidamente orientada." A confiança do Barão retornou. "Não se preocupe." "Athaleyah é excepcionalmente inteligente." "Com um pouco de orientação, ela se tornará uma Duquesa incomparável." O Visconde sorriu levemente. "Inteligência é uma espada de dois gumes, Barão." "Certifique-se de que ela seja apontada para as pessoas certas." O Barão assentiu novamente. "Tudo seguirá conforme o plano." O Visconde se levantou. A reunião havia terminado. "Bom." "Eu informarei esse progresso ao Grão-Duque Margrave." "Não cometa nenhum erro." O Barão também se levantou e fez uma profunda reverência. "Pode confiar em mim, meu senhor." O Visconde respondeu com um leve sorriso. Mas no momento em que a porta se fechou atrás dele... Aquele sorriso desapareceu. Tudo o que restou foi um rosto frio, sem sequer o menor vestígio de emoção. Enquanto isso, dentro da sala, o Barão soltou um suspiro de alívio. Ele ainda acreditava que estava jogando o jogo. Quando, na verdade... Ele próprio não passava de mais um dos peões no tabuleiro.
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