Capítulo 4

2082 Words
Sentir o toque de Pietro em sua pele era uma sensação um tanto quanto desagradável para Bianca, principalmente enquanto ela olhava em seus olhos e notava o quanto escuro era. Se um dia ela teve esperança que ele fosse ser um marido exemplar para ela, morreu quando ela olhou em seus olhos durante aquela dança. Tudo em Pietro gritava perigo, os olhos, o sorriso de predador, o toque possessivo, a cicatriz em seu rosto. Nada daquilo pertencia a um marido exemplar, e sim á um homem sem coração capaz de qualquer coisa. Quando enfim a música acabou e os braços de Pietro libertaram Bianca, ela soltou o ar. Nem tinha percebido que estava segurando. E por mais que soubesse de cor quem viria a seguir para dançar com ela, se surpreendeu quando Dante apareceu ao lado de ambos interrompendo a troca de olhares penetrante que eles tinham. O coração de Bianca pareceu querer pular peito a fora quando notou a troca de olhares de Pietro e Dante. Se não contassem as histórias ninguém saberia que esses dois foram melhores amigos, quase irmãos, um dia. O ódio que emanavam um pelo outro quando se olhava era palpável. — Com sua permissão. - Dante murmurou, estendendo a mão para solicitar a de Bianca. Pietro, entre-dentes, colocou a mão de sua noiva sob a do seu inimigo. Se aproximou poucos centímetros de Dante e murmurou próximo de seu ouvido. — Tente uma gracinha, e eu mato você, Cavalliere. - Ameaçou Pietro. - Apenas uma... Pietro sabia que Dante não era o tipo de homem provocativo como ele mas se tratando da inimizade de ambos ele não podia duvidar de nada. Pietro não sentia nada por Bianca, mas ela era sua e só de ver Dante perto dela, seu sangue borbulhava por algum motivo. Talvez por que no fundo Bianca lembrasse muito Laura. Ela era fodidamente* parecida com a irmã morta. Dante, que não se abalava nenhum pouco com as ameaças de Pietro, sorriu cinicamente. Enquanto Bianca parecia ter receio se deveria ou não aceitar aquela dança, mesmo que soubesse que se recusasse seria uma afronta as tradições. Mas Dante já as tinha quebrado, não é? Recusar uma dança era o mínimo dos problemas. Só que Bianca deixou essa ideia de lado quando, educadamente, Dante colocou a mão em suas costas e aguardou que ela se preparasse para a próxima dança. Bianca podia sentir os olhos de Pietro sob os dois, o olhar dele era temível, era palpável, e fazia ela tremer inteira. Apenas quando a musica começou e Dante lhe deu um olhar acolhedor, foi que Bianca se deixou relaxar por um mísero segundo. — Eu sei que vai ser difícil, Bianca. - Dante começou a dizer, baixo, chamando a atenção da menina. Rara as vezes em que Dante a chamava pelo primeiro nome. - Mas eu sei que você é forte e conseguirá dar a volta por cima. — É admirável suas esperanças, Sr.Cavalliere. - Bianca murmurou, um sorriso bobo dançando em seus lábios. Dante era atraente, e cheiroso. Por que Deus não foi piedoso e tornou ele seu marido? Respirou fundo para afastar esses pensamentos. - Mas não há voltas por cima com Pietro, você mais que ninguém sabe disso. Bianca não conhecia seu marido mas não era difícil adivinhar que Pietro não sentia uma mínima vontade de fazer aquele casamento dar certo. — Dê tempo ao tempo. Apesar de não parecer, Pietro já foi um homem bom. - Bianca encarou o rosto de Dante por alguns segundos, ela queria pensar da mesma forma que Dante, mas nada no mundo a faria acreditar que Pietro mudaria, nem mesmo Dante. - Você está linda... O elogio pegou Bianca de surpresa, fazendo-a arregalar os olhos para Dante. Seu coração palpitou por alguns segundos mas se acalmou momentos depois ao olhar as íris dele. Os olhos de Dante brilhavam, nostalgia estava estampado em seu rosto. Ela se parecia com Laura, mais do que gostaria de admitir. O elogio era para ela, não para Bianca. Ainda sim, Bianca sorriu gentilmente. Dante nunca a veria como mulher, para ele Bianca sempre seria a irmã mais nova da esposa falecida. — Obrigada. - Ela respondeu. Infelizmente a música chegou ao fim e teria que se despedir de Dante, se afastou dele e em seguida deu um leve sobressalto de susto quando viu a figura de Pietro já ao lado dos dois. Não esperava que ele estivesse tão próximo assim. — Ela está inteira, Salvatore, não se preocupe. - Dante debochou, se afastando devagar e antes de sair por completo deu uma piscadinha para Bianca, que sentiu seu corpo inteiro estremecer. Mas a sensação boa de ter Dante por perto acabou segundos seguintes quando a mão de Pietro rodeou o braço dela com força e a guiou para longe da pista sem se importar com os olhares das pessoas, machucando-a. — Vamos embora. - Ele murmurou, entre-dentes, levando ela para fora da festa. — Pietro você está me machucando. - Bianca tentou dizer enquanto estava sendo arrastada tenda a fora, para dentro da mansão. Sentindo seu braço dolorido e o coração apertado por ver a fúria nos movimentos de Pietro ela lutou contra ele. - Pietro! Ele cessou os passos diante o pedido de Bianca mas não soltou seu braço, apenas lhe olhou. — O que ele te disse? - O seu tom de voz cheio de raiva, e seu olhar ainda mais escuro que antes. Bianca o olhava assustada, nem prestava mais atenção nos dedos de Pietro ao redor de seu braço já vermelho. - O QUE ELE DISSE! Bianca fechou os olhos com força quando Pietro explodiu, o medo que já tinha ido embora voltando como um meteoro, quebrando todo o seu corpo. — Você está me machucando.. - A voz de Bianca saiu como um sussurro, algumas lágrimas desceram por sua bochecha, já não estavam na frente das pessoas por isso não tinha receio de enfim deixar-se desmanchar. Pietro estava eufórico, seu peito subia e descia fortemente, raiva o dominava, raiva de ter visto sua esposa sorrindo para seu inimigo declarado, raiva de perceber o quando ela parecia com Laura e raiva de ver o quanto ela também preferia Dante. Estava cego pelo ódio.. Mas então olhando para o quanto ela era pequena e indefesa sentiu o quanto aquilo parecia errado. Soltou o braço dela no segundo seguinte que voltou á lucidez. — Vamos para o quarto. - Pietro murmurou, parado, olhando para Bianca, que ao ter seu braço libertado abraçou a si mesma. Abriu os olhos e sua visão estava turva pelas lágrimas que lhe invadiam mas conseguia ver a figura de Pietro parado á sua frente, ele não parecia arrependido de a ter machucado, e isso fazia Bianca ter ainda mais medo dele. Temendo as consequências ela apenas assentiu e em passos lentos o incentivou a guiá-la. Por um momento Pietro se sentiu m*l* por isso, enquanto olhava o quanto ela estava indefesa mas tentou deixar isso de lado. Laura não se sentiu m*l* por desprezá-lo. O caminho inteiro eles foram em silêncio, a música abafada, o barulho dos sapatos, e o fungar de Bianca eram as únicas coisas a serem ouvidas. Pietro ignorou esse último barulho e a levou até o quarto principal, ele havia comprado aquela mansão justamente para morar com ela, distante da cidade e do perigo que ele havia prometido protegê-la. Pietro não tinha a mínima intenção de ser um marido exemplar, pelo contrário, mas tinha prometido protegê-la e ela faria isso. Ele abriu a porta do quarto principal e deu espaço para Bianca entrar, o quarto estava escuro, um pequeno abajur e a luz da lua eram quem iluminava o ambiente. Havia uma cama enorme na parede esquerda, ao lado haviam criados mudo com os abajus pequenos, em frente havia uma porta de vidro que os levava para uma sacada com parapeito de vidro, cortinas brancas voavam com o vento que entrava pela porta da sacada. Na parede direita haviam duas portas, uma era visivelmente o banheiro e outra provavelmente o closet. O ambiente era branco com preto, neutro. Bianca ficou algum tempo encarando o lugar quando entrou, e apesar da explosão de minutos antes Pietro aguardou até que ela olhasse cada canto para enfim fechar a porta atrás de si. Bianca se assustou com o barulho da porta, seu corpo estava em alerta total depois do grito de Pietro. Olhou em direção á seu marido mas não conseguia ver ele nitidamente. Percebeu que ele desabotoava o nó de sua gravata e abria poucos botões de sua camisa e isso fez ela estremecer. Estava ocupada demais com medo de seu marido que nem tinha lembrado que eles teriam uma noite de núpcias, e lembrar disso aquele instante fez Bianca se apavorar. — Não, por favor.. - Ela pediu, se afastando aos poucos dele, o coração batia na garganta. Pietro engoliu em seco. Ele estava determinado, ele a queria, queria marcar seu território, queria mostrar que ela pertencia a ele e que ninguém poderia tirá-la dele. Queria rasgar aquele vestido branco e bagunçar seus cabelos ruivos, queria poder passar a língua em cada parte daquele maldito* corpo e saborear seu gosto, queria fodê*-la forte e violento até que ela perdesse a consciência. Cada maldito* pensamento sujo que se passava em sua mente ele queria fazer com ela naquele momento. Mas a única coisa que ele conseguia ver era aqueles olhos grandes cheio de lágrimas e medo. — Você é minha, Bianca, tenho que te fazer minha. - Pietro justificou, ele não queria justificar mas parecia certo naquele momento falar alguma coisa. Na verdade ele só queria não se sentir culpado por tocá-la. Ela era dele, não era? Bianca engoliu em seco, apesar de vê-lo parado no mesmo lugar sabia o quanto ele estava determinado em tê-la. Ela não o queria. — Eu não sou virgem. - A mentira saiu de seus lábios rapidamente, a voz trêmula não passava tanta confiança mas por estar sentindo tanto medo ela contava com que Pietro associasse o tremor ao medo. Os punhos de Pietro cerraram no mesmo instante. Um milhão de coisas passou em sua cabeça naquele momento e a fúria que tinha ido embora voltou como um monstro. Apesar disso ele se controlou. — Seu pai garantiu que nunca foi tocada. - Ele murmurou, a voz beirava o ódio. — Ele não sabe disso, eu fugi durante a noite. - Bianca estava determinada a sustentar a mentira. Queria a todo custo mantê-lo longe o suficiente para que ela pudesse se preparar. Ela sabia que seria inevitável e que um dia ele iria tocá-la mas ela queria adiar isso. Pietro ficou em silêncio mas Bianca podia ouvir sua respiração pesada, sabia que ele estava bravo, na verdade bravo era uma palavra muito simples para descrever. Bianca conseguia sentir o que ele sentia, era palpável, era aterrorizante, trazia o pior a tona. Quando Pietro deu um passo Bianca se encolheu inteira com medo do que viria a seguir, ele podia querer castigá-la por não ter guardado o que lhe pertencia mas quando percebeu que ele não havia se aproximado dela levantou a cabeça para saber onde ele estava. Pietro havia se aproximado do criado mudo, ali tinha uma garrafa de alguma bebida que Bianca nem tinha notado, Pietro a abriu e virou a garrafa em sua boca. Bebendo alguns goles daquilo. Bianca assistiu ele beber aquilo como se fosse água. Depois com a garrafa nas mãos ele andou até a porta da sacada e ficou olhando para o lado de fora. Ele estava quieto demais e aquilo era ainda mais apavorante do que tê-lo a olhando. — Se este é o caso, deveria ser fácil para você. - Ele murmurou, chamando a atenção de Bianca.- Se esse é o caso então não preciso me preocupar em pegar leve com você. A garganta de Bianca secou no mesmo momento que ouviu isso, notando que Pietro lentamente virava o rosto para encará-la. Os olhos tão escuros quanto a noite que caia sobre eles. O olhar que ele tinha Bianca nunca tinha visto em lugar algum mas uma sensação r**m subiu por seu corpo. Ela nem sequer tinha pensado na possibilidade de que ele poderia apenas aceitar a mentira e continuar a querendo mesmo assim. O coração da ruiva parecia querer saltar para fora, os batimentos tão fortes que com o silêncio do quarto parecia que qualquer um podia ouvi-la. Agora não tinha para onde correr. Ela estava encurralada.
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