Capítulo 2: As Sombras do Passado

459 Words
POV: Isadora Volkov O dia tinha começado como qualquer outro, com a correria exaustiva de cuidar do Lucca e da Antonella, mas o ar parecia carregado, denso, como se a própria casa estivesse prendendo o fôlego. Quando o envelope amassado chegou às minhas mãos, entregue por um advogado de porta de cadeia que m*l teve coragem de me olhar nos olhos, meu estômago deu um nó. Eu conhecia aquela caligrafia apressada. O nome "Oliver" no remetente fez minhas mãos tremerem. Eu sabia que, ali dentro, não viriam boas notícias. Abri o papel e as palavras dele saltaram aos meus olhos como um grito silencioso que eu não podia ignorar: "Isa, tentaram de novo. Ontem, no banho de sol. Se eu não tivesse sido rápido, você estaria recebendo um corpo e não este papel. Eles não querem que eu saia daqui, irmã. Eles têm pavor do que eu posso descobrir sobre o tio Léo. Eu encontrei uns papéis, ouvi umas conversas... a morte dele foi só o começo de uma teia que a gente ainda não enxerga totalmente." Senti um nó na garganta enquanto continuava lendo: ​"Passei a noite olhando para aquela única foto do meu pai, o Luiz. Sabe, Isa? Eu não lembro do rosto dele. Não lembro do cheiro, do toque, de nada. Só tenho esse pedaço de papel velho pra me lembrar que eu vim de alguém. E agora sinto que estou indo embora sem nem saber quem eu sou de verdade." Apertei a carta contra o peito, sentindo uma raiva fria começar a crescer onde antes só havia medo. As lágrimas que eu tentava segurar para não assustar os gêmeos finalmente caíram, manchando a tinta do Oliver. Aos 25 anos, com a maturidade que a vida de mãe solo me impôs, eu não era mais aquela menina de 15 que chorou a morte do Tio Léo sem questionar. Naquele ano, há uma década, tudo mudou. Meu tio foi morto por aqueles que ele chamava de amigos, em uma conspiração c***l para roubar o poder que era dele. E agora, o Oliver estava pagando o preço. As pessoas tinham medo de que ele recuperasse o que nos foi tirado, e por isso o queriam morto naquele inferno. Eu olhei para os meus filhos brincando na sala e soube, naquele instante, que a batalha para manter nossa casa em São Paulo era apenas a pontinha do iceberg. Eu não podia mais ser apenas a mãe que faz doces para sobreviver. Se o Oliver não tinha a proteção de um pai, eu daria a ele a proteção de um império. Eu precisava ser a mulher que o sangue russo exigia que eu fosse. A verdade estava batendo à porta, e eu não podia mais fingir que não ouvia.
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