Cayo A casa tá cheia. Não é expressão, é real. A sala, que já foi um sonho distante no apartamento apertado, agora comporta todo mundo. E todo mundo veio. Minha mãe chegou cedo, como sempre. Já assumiu a cozinha, mexendo nas panelas, dando pitaco na comida. O Paulo, meu padrasto — ainda estranho falar isso, mas já tô me acostumando — tá no quintal com o Zyon, jogando bola. Dá pra ouvir a gritaria lá de dentro. — GOOOOL! — o Zyon berra. — Vovô Paulo, eu fiz um gol! — Foi sim, campeão! — o Paulo responde, rindo. Vovô Paulo. O menino adotou ele rápido. E o Paulo trata o Zyon como neto de verdade. Isso me faz bem. Muito bem. Os pais da Analu chegaram com os braços carregados de presente. Minha sogra trouxe um vestido de princesa que é a coisa mais linda que eu já vi. Todo rosa, cheio de

