Cayo A casa tava silenciosa. Não aquele silêncio pesado de esperar o pior, mas um silêncio gostoso, daqueles que a gente aprendeu a valorizar depois de tanto tempo. As crianças tinham ido dormir na casa da minha mãe. Ela ligou mais cedo, insistindo: — Cayo, deixa os meus netos passarem a noite aqui. O Paulo alugou um filme novo na tv, vou fazer pipoca, eles merecem se divertir um pouco com a vovó. — Mãe, a senhora não cansa? — Dos meus netos? Nunca, meu filho. Manda eles pra cá e vocês dois aproveitam a noite livre. Se é que você me entende. Assim quem sabe eu tenha mais netinhos. Eu ri, passei a mão no rosto. — Tá bom, mãe. Vou levar. A Analu, do meu lado, arregalou os olhos. — Eles vão dormir lá, Cayo? — Vão. A vovó quer os netos. — A noite inteira? — A noite inteira. Ela

