A RECUPERAÇÃO DO JIMI VAI DEMORAR

1427 Words
Capítulo 15 Melina narrando Já tem uma semana que meu marido está no hospital. O tiro no ombro afetou mais do que nós esperávamos. Acertou um osso que está sendo difícil de botar no lugar. Já fez duas cirurgias, agora botaram pino, porque a pistola que aquela desgraçada tomou do vapor era uma Glock, e um tiro de tão perto faz estrago. E foi o que aconteceu. Ele, por ser mais alto do que eu, o tiro pegou no ombro. Mas, se pega em mim, ia pegar na minha cabeça. Graças a Deus o Jimi entrou na frente, mas infelizmente as consequências ficaram. Se ela revivesse, eu mataria ela mais umas dez vezes só por ter tentado me matar e acertado o Jimi. Estamos aqui esperando o resultado da cirurgia. Ele está colocando parafusos no ombro para segurar o movimento do braço. Jimmy não será mais o mesmo. Vai ter que fazer pelo menos umas vinte sessões de fisioterapia para o ombro dele voltar um pouco pro lugar. Serão uns seis meses de luta, mas fazer o quê? Pelo menos ele está vivo. O médico está sedando ele direto pra ele aguentar a dor, porque o ferimento foi no osso, e o osso é um lugar que não tem como aliviar. É tomar o remédio e esperar a dor passar. Está eu, o Gino e alguns vapores esperando notícias. Gino está muito preocupado com o patrão dele. Eu também estou, porque ele já não é mais um garotinho. Ele tem trinta e nove anos, e a idade pesa nessas horas. A recuperação é mais difícil, mas eu tô crendo que ele vai se recuperar bem rápido. Eu não tinha noção do amor do Jimi por mim. Achei que era só possessividade, mas não era. Simplesmente era amor. E eu, a cada dia, me apaixono mais pelo meu coroa. Ele não gosta, mas eu falo assim só pra implicar com ele. Nisso, o médico vem, e acho que vai falar algo do meu marido: — Bom dia, sou o Dr. Marcos. A cirurgia correu bem, não tivemos mais complicações. Colocamos cinco pinos no ombro dele, dois internos e três externos. Agora vamos ver como vai reagir, mas ele está se recuperando bem. Daqui a pouco estará na sala e acordado. Por enquanto, ele está sedado na sala de recuperação pós-cirúrgica. Quando ele acordar, não deixem ele fazer movimento com o braço, senão vamos ter que abrir de novo e colocar os pinos no lugar. Ele não pode se mexer pelo menos até amanhã. Tem que ficar no quarto quietinho. Se for o caso, ele vai ser sedado até a cicatrização do ferimento no ombro. Agora é aguardar. Obrigado, gente. Vocês podem ir pra casa, porque no momento ele está dormindo. Só vai acordar à noite. O médico acabou de falar. Olhei pro Gino e disse: — Então eu vou pra casa arrumar as coisas, porque hoje a moça que ajuda lá em casa não veio. Tenho que fazer tudo sozinha. Qualquer coisa vocês me dão notícia, porque, mesmo se ele tiver alta, o quarto tem que estar higienizado e limpo. Comecei a subir o morro. Encontrei duas mulheres bonitas, que me olharam com nojo. Uma falou pra outra: — Essa aí é a patroa do morro? — Não por muito tempo — a outra respondeu. — Quando a Eliane chegar, vamos ver até onde vai a fidelidade do Jimi Bravo. Olhei pra elas rangendo os dentes e respondi: — Vocês estão torcendo pra sua amiga morrer também? Porque vocês já perceberam que, por mim, ele entra na bala. Então baixa a bola de vocês, senão eu expulso vocês do morro, tá entendido? Elas se olharam, deram um sorrisinho sem graça e saíram descendo o morro. Eu continuei subindo. Uma senhora que estava varrendo o portão perguntou: — Como está o patrão, senhora? Ele está bem? Respondi praquela senhora amável: — Sim, ele está bem. Fez outra cirurgia pra botar os pinos, porque os ossos dele foram estilhaçados pela bala. Aquela senhora falou uma palavra abençoada pra mim: — Ele vai ficar bem, ele sempre fica. Deus é com ele nessa terra. Agora é a segunda parte da profecia dele. A primeira já foi, e a segunda também… ou melhor, agora é a terceira fase. Porque a primeira, quando Deus me mostrava ele atrás das grades, já aconteceu. Eu mostrava também você junto com ele, já aconteceu. E agora ele está passando por uma grande provação. Não tenha pena, porque é Deus trabalhando pra que ele venha se converter. Você tá entendendo o que eu tô te dizendo, minha filha? Virei pra aquela senhora misteriosa e disse: — Sim, senhora, estou entendendo. Sei que tudo vai dar certo, porque quando Deus entra na nossa vida, tudo começa a dar certo. Eu creio e vou esperar essa maravilha de Deus acontecer. Subi o morro e fui pra minha casa. Limpei tudo, fiz comida, tomei meu banho, lavei meus cabelos que estavam sujos, botei roupa na máquina, enxaguei o cabelo que estava na hidratação. Depois deitei na cama e liguei a televisão pra assistir. Foi aí que me deparei com uma notícia que não era nada boa. A notícia da morte da Marta estava estampada nos jornais, com a seguinte epígrafe: “A detetive Martha Nogueira foi morta na semana passada, pelo traficante e chefe do morro, Jimi Bravo. Testemunhas dizem que eles estavam tendo um caso até aparecer uma menina novinha, por quem ele se apaixonou. Ela fez visitas a ele duas vezes na cadeia e, quando ele saiu, a assumiu como fiel do morro. Dizem que Marta não gostou de o traficante ter assumido a novinha de nome Melina, agora Melina Bravo. Marta foi mandada para o morro como infiltrada há mais de seis anos. De vez em quando trazia relatórios, até que ele foi preso numa invasão da polícia no morro, por dica dela. Depois disso, ela não mandou mais nenhuma notícia. Dizem que ela também o visitava na cadeia, fazendo visita íntima. Depois que ele conheceu essa moça, mudou com ela, e Marta tentou matá-lo com um tiro no ombro. As pessoas dizem que o tiro era para a fiel do Jimi, mas ele entrou na frente e levou a bala por ela. A notícia que não chegou à polícia é que quem deu o tiro de misericórdia foi o traficante chamado Gino do Fubá, sub do morro. A polícia está consternada, porque dizem que o corpo foi incinerado, então não haverá enterro digno de uma policial. Boa noite.” Fiquei parada, olhando aquela notícia. A foto da Marta vestida de policial. A foto dela recebendo o diploma da polícia. A foto dela recebendo uma medalha de honra ao mérito por ser uma infiltrada muito bem-sucedida, vinda do Maranhão pra se infiltrar no Fubá e prender o Jimi Bravo. Bom… ela só não contava que iria se apaixonar por ele. Ela fez de tudo pra destruir o Jimi, e ele nem sabia. Mandei uma mensagem pro Gino, que estava no hospital esperando o patrão acordar. Falei que a Marta era infiltrada da polícia. Em dez minutos, ele chegou na minha casa de moto. Desceu com a moto ainda ligada, ela caiu no chão, e ele entrou porta adentro, perguntando: — Como assim a Marta é infiltrada da polícia aqui no morro e ninguém sabia disso? A gente puxou a ficha dela várias vezes, e dizia que ela era do Maranhão, filha de pescador miserável. Morreu tarde. Me conta mais aí, patroa. O que mais você ouviu? — Então foi ela que armou a emboscada pro Jimi ser preso. Infelizmente, ela se apaixonou por ele e não deu mais notícia pra polícia. A última informação que ela passou foi que vocês estavam traficando, comprando armas. Inclusive, parece que a polícia invadiu aqui pra pegar o meu irmão, porque meu irmão era quem buscava o dinheiro das armas pra vocês. Isso é verdade, Gino? — É sim, Melina. Seu irmão era avião da boca quando vendia as armas. Era ele que buscava o dinheiro. Na última vez, ele perdeu o dinheiro, foi por isso que cobramos de você. Então a Marta sabia disso tudo e arrumou um jeito da polícia entrar na sua casa, matar o teu irmão e matar você também. A sorte é que eles não te acharam. Devem ter ido pra te matar. E o seu padrasto… tô na caça dele. Vou achar, porque ele também tá com essa sujeira até o pescoço. Vou descer e esperar o Jimi acordar pra ver o que vamos fazer.
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