Sabe quando você acha que tudo vai acabar bem?Pois, não vai.
Mas não vai mesmo.
Deus! Como eu odeio a minha vida.
Tudo aconteceu muito rápido que nem ao menos percebi acontecendo, em um segundo eu estava conversando com a minha mãe sobre assuntos aleatórios apenas para poder quem sabe me distrair um pouco, no outro eu estava vendo uma onda de enfermeiros correndo de um lado pro outro.
Inicialmente eu não dei lá tanta importância, pois, querendo eu ou não a minha tia não era a única pessoa naquele hospital, poderia ser outra pessoa não poderia? Infelizmente aparentemente o meu azar não resolveu cooperar nem um pouquinho comigo e depois de algumas longas horas tive a notícia que eu não queria ouvir nem em sonhos.
Era de madrugada e a minha tia havia falecido na mesa de cirurgia, me pouparam dos detalhes.
Deixei minha mãe falando com os médicos e fui pro lado de fora.
Fechei os olhos e respirei fundo várias e várias vezes tentando ao menos me acalmar.
No bolso do casaco peguei o meu celular e sem ver disquei o primeiro número na lista telefônica.
Talvez eu tivesse ter visto, porém, eu não me importei muito com aquilo.
— Alô? — perguntou o homem, sua voz era sonolenta e por causa disso me senti um tanto culpada.
Não estava pensando, apenas agi.
— Meteo. — Falei baixinho, no meio da fala o choro saiu e acabei me xingando por causa disso.
— Amy? — retrucou, por alguns segundos ficou quieto apenas - talvez - se ajeitando. — Está tudo bem?
Por alguns segundos fiquei quieta, movi a cabeça para os lados em uma negativa lenta nesse momento.
Até parece que ele iria conseguir me ver.
Ficamos em silêncio, eu não conseguia dizer nada e também agradeci pelo fato de que Meteo não dizia absolutamente nada naquele momento.
Me sentei perto dos carros no estacionamento, no chão as costas ficaram encostadas na parede do hospital e a cabeça pendeu para cima por alguns segundos.
Passei a mão pelo meu rosto, limpei o lugar e respirei fundo e então ri baixo.
Não sei por quanto tempo isso durou ainda assim resolvi cortar logo o silêncio antes que acabasse ficando bem mais estranho do que estava parecendo naquele momento.
— Você deve me achar louca nesse momento ou talvez coisa pior. — Disse, o peito subiu e desceu devagar.
Eu não via é claro, porém, Meteo movia a cabeça para os lados em uma negativa lenta.
— Não. — Falou o homem. — Eu só estou surpreso.
— Como assim? — perguntei um pouco confusa com o que era dito.
— Eu nunca imaginaria que você iria me ligar em um momento como esse. — Respondeu.
Era verdade, Meteo era a última pessoa que eu ligaria em um momento de desespero.
Se por acaso eu estivesse com o meu juízo perfeito não iria cometer um crime daquele nem aqui e nem na China, afinal de contas não era nem um pouco normal na nossa relação uma coisa daquelas acontecer, normalmente era o oposto de algo acolhedor e sincero.
— Eu também estou surpresa. — Retruquei depois de alguns segundos. — Foi no impulso apenas.
Meteo prestou atenção no que foi falado e se sentou no sofá de sua casa, estava dormindo quando recebeu a ligação e agora quase três da madrugada e estava conversando com a mulher que fazia seus dias passar de normais para loucos.
— Eu entendo. — Falou o moreno. — Então me diga, como está o dia? O clima está bom?
Sorri de canto com aquelas perguntas, assuntos aleatórios que não focavam no que realmente interessa, agradeci mais uma vez por ele não fazer nenhuma pergunta incoveniente.
— Essa é a sua tentativa de puxar assunto?
Ouvi um riso sair da boca masculina, pelo menos alguém estava se divertindo com isso.
Meteo deu de ombros.
— Deu certo não é? — questionou o homem enquanto olhava para a parede. — Ao menos eu consegui distrair você, não é?
— Sim. — Falei rindo baixinho, eu me sentia um pouco melhor com aquela conversa sem sentido com Meteo.
E novamente o silêncio entre a gente.
Isso acontecia com uma frequência assustadora e me senti um pouco desconfortável.
Eu não estava sendo acostumada ser gentil com Meteo, normalmente eu usaria palavras bem ofensivas que não seriam bem vistas pela maioria das pessoas.
O nosso relacionamento era na base do ódio e não dá boa convivência.
— O quê você acha de tomar um café?
— Um café? — questionei.
— Sim. — Falou o homem. — Você deve comer não é mesmo?
Movi a cabeça para os lados e aos poucos foi me ajeitando naquele espaço desconfortável que eu estava.
— Sim, eu como. — Respondi. — Só que...
— Só que, o quê? — perguntou Meteo.
Olhei para cima, o sol estava aos poucos saindo no meio daquelas nuvens um recado silencioso que dizia que o dia estava começando.
Ótimo, eu tinha passado a madrugada toda acordada.
— Não tem nada aberto. — Falei. — Você sabe que horas são?
— Bem cedo? — respondeu o homem.
Aos poucos me levantei dali e comecei a andar em círculos, os braços estavam cruzados no meu corpo querendo afastar um pouco da friagem matinal.
— Sim, é bem cedo. — Falei, mordiscando de leve a ponta da língua. — E você sabe que não tem nada aberto não sabe?
Eu com toda a certeza estava enlouquecendo agora, nesse exato momento.
Eu com toda a certeza estava enlouquecendo.
— Eu sei. — Disse o homem dando de ombros, bateu a língua no céu da boca. — Só que eu não disse que seria agora sabe?
— Uhurm. — Falei, eu não gostava muito quando alguém tinha a palavra final e essa pessoa não era eu.
— O quê quer comer? — perguntei.
— Panquecas. — Falei sem pensar.
Por alguns segundos imaginei o homem que conhecia como um tirano comer panquecas.
— Ótimo. — Disse. — Vamos comer panquecas.