DAVI NARRANDO O dia seguinte começou com aquele silêncio gostoso de hotel caro. Cortina pesada, quarto escuro, só um filete de luz escapando pela fresta e cortando o chão. A primeira coisa que eu vi quando abri os olhos foi a Isabela encolhida do meu lado, cabelo todo espatifado no travesseiro, uma mão embaixo da cabeça e a outra largada em cima da minha barriga. Por alguns segundos eu só fiquei ali, olhando. Minha mulher. A mãe do meu filho. Falar isso em voz alta ainda parecia mentira, mas a imagem dela ali, grudada em mim, era a prova mais concreta que eu podia ter de que a vida, às vezes, ainda sabia acertar. O enjoo dela da noite anterior tinha passado, ela tinha apagado depois do banho, cansada, com o corpo entregue. Eu não quis acordar. Beijei só de leve a testa dela, devagar, pr

