Enquanto ele entrava no box, fui separando uma bermuda de moletom, uma camiseta cinza, aquelas roupas que ele gostava de usar nos dias de fisioterapia. Simples, confortáveis. Preparei a mochila com a carteira, os exames anteriores, uma garrafinha de água, remédio se fosse necessário. E o mais importante: levei na mente tudo que eu queria perguntar pro médico. Porque hoje, mais do que nunca, eu era a mulher do Davi. Mas também era a parceira dele nessa luta invisível contra um corpo que às vezes cansava mais do que a alma. E eu ia até o fim com ele. O carro deslizava silencioso pelas ruas da Zona Sul, e mesmo com o ar-condicionado ligado no mínimo, o calor daquela manhã carioca ainda escapava pelas janelas como se quisesse entrar à força. Eu dirigia com uma das mãos no volante e a outra

