Levantei a taça, dei um gole pequeno, gelado, delicioso, e encostei nas costas da cadeira. — Agora, se me dão licença… — sorri — eu vim pra acompanhar meu marido. Não pra ser interrogada por um júri frustrado. Me levantei com calma, ajeitei o vestido, senti o peso do salto no chão de mármore e saí dali com a cabeça erguida. Atrás de mim, ouvi cochichos. Alguns indignados. Outros desconfortáveis. Mas eu não olhei pra trás. Porque naquele momento eu entendi uma coisa com clareza absoluta: Eu não precisava caber naquele mundo.Eu já tinha o meu lugar. Foi quando eu vi. No meio do salão, como se tivesse surgido do nada, a Kelly entrou de braço dado com o Fábio. Ela vinha sorrindo, segura, linda, daquele jeito que ocupa espaço sem pedir licença. Vestido elegante, postura ereta, olhar atento

