— Tô… — respondi, sem pensar. — Mas não com você. Ela deu um sorrisinho, aquele de canto, leve, e voltou a comer. — Ótimo — falou. — Porque eu tô grávida, cansada, com fome e sensível. Se você brigar comigo, eu choro. Eu ri. Não consegui evitar. A risada saiu fácil, quente, coisa que há meses ficava engasgada. Só de olhar pra ela, ali, comendo aquele prato caro como se fosse arroz com feijão, falando de chorar e de fome ao mesmo tempo, eu lembrei por que eu tava ali. O celular vibrou de novo. Mensagem da administração confirmando o recebimento, dizendo que iam apurar o que aconteceu, que a ordem ficaria registrada no sistema e que “a senhora Lúcia Montezano não voltará a ter acesso sem autorização prévia do senhor”. “É bom mesmo”, pensei. Guardei o aparelho no bolso, olhei pra Isa e,

