DAVI NARRANDO Se eu fechar o olho, eu ainda ouço. Não é exagero, não. O som ficou grudado na minha cabeça igual música chiclete. Tumtumtumtumtumtumtum. Coração do meu filho. Ou filha. f**a-se o sexo, eu só queria enfiar aquele som dentro do peito e morar ali. Saí da clínica meio em transe. A Isa do meu lado com as fotos apertadas na mão, eu empurrando a cadeira devagar, como se qualquer movimento brusco fosse desmontar o mundo. O Romeu perguntou se tava tudo bem, eu só mandei: — Tudo perfeito, Romeu. — e joguei as fotos na cara dele. — Olha aqui meu herdeiro. Ele sorriu daquele jeito dele, humilde. — Parabéns, senhor Davi. Dona Isabela. Deus abençoe esse bebê. Entrei no carro ainda olhando pra p***a da foto. Era um borrão, um feijão torto, uma mancha clara num fundo escuro. Mas pra

