Girei ela pra perto da porta. Me arrastei devagar, me transferi pro assento da cadeira. Ajustei as pernas com as mãos, uma de cada vez, com aquela familiaridade amarga. Fechei o carro. Travei. Respirei fundo. A porta do bar abriu lá na frente, e eu vi o Fábio aparecendo com um copo de chope na mão, camisa branca aberta no peito, óculos na cabeça, sorriso de quem ganhou na loteria. Ele me viu primeiro. Arregalou os olhos. Botou o copo na boca e bebeu metade num gole. Depois ficou abanando os braços igual doido: — CARALHOOOOOOO, FILHO DA p**a!! — ele gritou. — EU NÃO TÔ ACREDITANDO NÃO!! Eu ri sem conseguir evitar. E fui empurrando a cadeira na direção dele. Cada giro da roda parecia uma vitória pessoal. E conforme eu chegava mais perto, eu via a expressão dele mudar: primeiro choque, de

