Entramos no prédio e o clima mudou instantaneamente. É impressionante como o ar parece ficar mais pesado e respeitoso quando o Davi Montezzano entra em algum lugar. Os seguranças se empertigaram, as recepcionistas endireitaram a postura e o burburinho do saguão morreu. — Bom dia, Sr. Montezzano — diziam em coro, com uma mistura de medo e admiração. Ele apenas acenava com a cabeça, seco, impulsionando a cadeira com uma agilidade de quem é dono do chão que pisa. Eu ia logo atrás, com meu salto estalando no mármore, mantendo a pose de quem não estava nem um pouco impressionada. Subimos pelo elevador privativo até o andar da diretoria. Quando as portas se abriram, eu já senti o "comitê de recepção". A área do escritório era um luxo só, mas o que me chamou a atenção foi o setor das secretári

