Eu levantei o rosto devagar, olhando pra ele com a sobrancelha arqueada. — Pra quê, Davi? Ele deu um meio sorriso, daquele jeito confiante que sempre tinha quando falava do futuro como se fosse uma coisa já escrita. — Porque quando a gente casar… ou quando simplesmente der na telha — ele deu de ombros — a gente vai viajar. França, Miami, Itália, Espanha… sei lá, o mundo. Eu fiquei olhando pra cara dele, tentando acompanhar aquela linha de raciocínio tão natural pra ele e tão distante da minha realidade. — Por quê? — perguntei, sincera. Ele inclinou um pouco a cabeça, me olhando com aquele ar de deboche carinhoso. — Ué, você não quer casar comigo e passar lua de mel na Rocinha, né? Eu segurei a risada por meio segundo… e perdi. Ri alto, do nada, chamando até atenção da enfermeira lá

