E ali, com o prato sendo retirado e o clima pesado se reorganizando, eu entendi uma coisa com clareza absoluta: Eu não precisava pertencer àquele mundo pra ser respeitada nele. Eu só precisava não abaixar a cabeça. Eu ainda tava encarando aquele prato como se ele fosse me morder a qualquer momento. O cheiro, a textura… tudo ali me dava um embrulho no estômago que eu nem tentei disfarçar direito. Eu olhei pro Davi de novo, depois pra Dona Helena, depois pra minha mãe. Ninguém entendendo nada, mas todo mundo sentindo que alguma coisa tinha sido atravessada ali. O chefe pigarreou, visivelmente desconfortável, com as mãos unidas na frente do corpo. — Então… — ele falou, cauteloso. — Alguém mais deseja trocar o prato? A Dona Lúcia nem levantou os olhos. Já tava comendo, tranquila, como se n

