Eu sempre fui o homem que chegava nos lugares com presença, com força, com postura de dono. Agora eu m*l conseguia manter o tronco ereto sem apoio. O barbeiro passou a mão no meu cabelo, como sempre fazia antes de começar. Mas dessa vez, não era só técnica. Era cuidado. Era delicadeza. E eu odiei delicadeza. — Vamos lá, chefe — ele disse baixinho. — Hoje a gente só ajeita. Aos poucos você vai voltar a ficar do jeito que gosta. Eu quis acreditar. Juro que quis. Mas a única coisa que eu conseguia pensar era: “Eu nunca mais vou ser o homem que eu era.” E o barulho da máquina ligando atrás da minha orelha soou como uma sentença. O barbeiro começou o corte exatamente como sempre fez, com os mesmos movimentos seguros, a mesma precisão, o mesmo jeito leve de puxar meu cabelo com os dedos ante

