Ele puxou a sacola, abriu devagar, tirou de dentro um relógio caro o suficiente pra pagar minha vida inteira. Ele me estendeu a sacola. — Joga no lixo. Eu pisquei, chocada. — Hã… como é que é? Esse relógio… esse relógio é caro! — Eu olhei dentro da caixa. — Tipo… caro demais! Ele deu de ombros. — Então joga. Ou fica pra você. Não faz diferença. Eu fiquei parada, segurando aquilo, olhando pra ele e pensando: “Meu Deus… que homem é esse que despreza um relógio de luxo como se fosse cupom de farmácia?” Eu nem sabia o que responder. Eu só sabia de uma coisa: Esse homem… É uma mistura perfeita de tragédia, arrogância e ferida aberta. E, de alguma forma que eu ainda não entendia… parecia que a parte mais difícil do meu trabalho não seria cuidar dele. Seria decifrar ele. Eu fiquei segu

