Subi, contando cada número do painel como se estivesse contando minhas mágoas. Quando a porta abriu, ele tava lá, encostado na parede, com aquela camisa meio aberta que ele acha sensual — e que eu, sinceramente, já cansei de ver. Passei por ele sem dar nem “oi”. — Fecha a porta. — falei já indo pro banheiro. — Tô com raiva demais pra conversar. Joguei a bolsa na cama. Tirei o vestido com um puxão brusco. O sutiã caiu no chão sem cuidado nenhum. Abri o armário e arranquei o robe branco do hotel como se estivesse arrancando o pescoço de alguém. Amarrei na cintura, mas nem fechei direito. Eu tava quente de nervoso, não de vontade. — Ué, que cara é essa? — o Ricardo perguntou, seguindo atrás de mim, levantando a sobrancelha. — Brigou com o maridão? Eu virei tão rápido que ele até recuou.

