MARLENE NARRANDO Eu saí do hotel ainda sentindo o cheiro dele na minha pele. Não era perfume caro, era aquele cheiro misturado de sabonete, café e homem descansado. Coisa que, pra muita mulher, deve ser normal. Pra mim, não era. Eu passei a vida inteira dividindo quarto com filha, conta com vizinho, preocupação com aluguel. Acordar num quarto enorme, com lençol macio, depois de uma noite tranquila nos braços de alguém que olha pra mim como se eu fosse a coisa mais bonita do mundo… isso ainda me deixava meio boba. Joseph segurou minha mão na porta do hotel como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Tá com fome, pequena? — ele perguntou, com aquele sorriso manso. — Sempre, né — respondi rindo, pra disfarçar o frio na barriga. A gente entrou no carro e ele dirigiu levando a gente num

