ISABELA NARRANDO Eu sentei à mesa com aquela sensação estranha de quem tá prestes a decidir coisa grande demais pra quem, até pouco tempo atrás, só escolhia o sabor do miojo. A mesa enorme, a Dona Helena sentada elegante como sempre, minha mãe do outro lado olhando tudo com curiosidade, e o chef em pé, com aquele bloco na mão, esperando como se eu fosse uma autoridade gastronômica internacional. — Então, Isabela — ele disse, animado — o prato principal já tá alinhado: carne. Podemos trabalhar com um purê mais delicado, talvez um purê de mandioquinha trufada, ou um gratin dauphinois… Eu pisquei devagar. Purê eu conheço. O resto eu ia fingir costume. — Tá — falei, respirando fundo. — A carne tá certa. Agora… o resto você vai ter que ir com calma comigo. Ele sorriu, paciente. — Claro. A

