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JEFÃO NARRANDO O baile tava no auge. Batidão estourando no sistema, luz vermelha piscando, fumaça subindo do palco, gente pra c*****o socada no beco principal da Rocinha. Aquela noite tava diferente… eu sentia no ar. E não era por causa da música. Nem da boca vendendo dobrado. Nem da segurança reforçada. Era ELA. Isabela. A loirinha de Mauá que eu sempre quis botar debaixo do meu braço e nunca consegui. Eu tava no camarote principal o MEU camarote sem camisa, corrente grossa reluzindo no peito, relógio que valia mais do que metade daquelas casas ao redor, bermuda larga, tênis caro, dois seguranças colados um em cada lado. A Rocinha inteira sabia: onde eu piso, ninguém encosta sem permissão. E hoje… quem tava bem ali, encostada na grade do camarote, segurando um gin com guarda-chuvinha,

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