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942 Words

DAVI NARRANDO Assim que eu entrei no escritório e fechei a porta atrás de mim, o clima mudou. Mudou de um jeito seco, pesado. Aquela sala já tinha visto muita coisa — contrato milionário, decisão difícil, briga de conselho — mas nada se comparava ao que tava prestes a acontecer ali. Minha avó estava em pé, de costas pra mesa, celular na mão, digitando rápido, tensa. O corpo duro. A postura impecável de sempre, mas o maxilar travado denunciava a raiva. — Pode guardar esse telefone — eu falei, calmo demais pra quem tava fervendo por dentro. — Seja lá com quem você esteja falando, essa conversa aqui é comigo. Ela parou de digitar. Lentamente. Guardou o celular na bolsa como se estivesse fazendo um favor. — Eu não acredito no que eu acabei de presenciar — ela disse, sem nem me olhar. — Si

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