DAVI NARRANDO Terminei o café no ritmo lento de quem ainda tá organizando a cabeça pro dia. A xícara esfriando aos poucos na bandeja, migalha de torrada no guardanapo, silêncio de casa grande de manhã. Eu não tinha pressa de nada, mas também não tava a fim de ficar ruminando pensamento — quanto mais a mente roda, mais ela inventa problema. Dei mais um gole no suco, encostei a cabeça no espaldar e fiquei uns segundos só ouvindo o barulho distante da cozinha trabalhando, porta abrindo e fechando, talher batendo em porcelana. Bateram de leve na folha. — Posso? — a funcionária apareceu meio de lado, respeito no olhar, aquela educação de quem já me viu nos dias ruins. — Entra — assenti, empurrando a bandeja pra frente. Ela pegou tudo com cuidado, ajeitou o pano e já ia saindo quando pergunt

