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ISABELA NARRANDO Ele dirigia com uma mão no volante e a outra pousada na minha coxa, do jeito mais natural do mundo, como se aquele gesto fosse um lembrete silencioso de que eu não tava sozinha. O carro deslizando pela cidade, vidro fechado, ar gelado, tudo brilhando lá fora — prédios enormes, luzes, aquele Rio de gente que não dorme. Eu olhava a rua, fingindo calma. Por dentro, o coração batia mais rápido. — Por que você tá quieta assim? — ele perguntou, sem tirar os olhos da frente. Virei o rosto pra ele, fingindo ofensa. — Ué… cê quer que eu fale o quê? Ele deu um sorrisinho de canto. — Você é tagarela. Fala pelo cotovelo. Desde quando precisa de assunto pra abrir a boca? Soltei um riso nervoso. — Isso é um elogio? — Sempre foi. — respondeu, rindo também. Fiquei alguns segund

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