ISABELA NARRANDO Eu ainda tava rindo sozinha por causa do cartão quando saí do quarto. Aquilo parecia piada. Davi Montezzano simplesmente me dando um cartão black como quem entrega a chave de casa. Guardei na capinha do celular, sacudi a cabeça e pensei: esse homem é completamente fora da curva. Desci pra cozinha e o cheiro já tava diferente. O risoto de camarão tava quase pronto, aquele cheiro amanteigado misturado com alho, cebola, vinho branco… confesso que era bonito de ver. O chefe tava concentrado, mexendo a panela com uma calma quase artística, como se aquilo ali fosse um ritual. — Tá ficando lindo isso aí — comentei, encostando na bancada. Ele sorriu de canto, daquele jeito de quem já ouviu muito elogio na vida. — Risoto não pode ter pressa, Isabela. É paciência e ponto certo.

