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LÚCIA NARRANDO Eu deixei as malas no apartamento que mantenho pra emergências. Aquele. Onde ninguém pergunta nada. Onde tudo é silêncio, mármore frio e cofres escondidos atrás de quadros caros. As joias ficaram lá. Todas. Ouro, diamantes, peças que contam décadas de casamento, de concessões, de humilhações engolidas em nome de status. Fechei a porta com força. Entrei no carro sentindo o sangue ferver. O volante parecia pequeno demais pra minha mão. Eu dirigia com pressa, não por urgência — por raiva. Aquele tipo de raiva que não grita. Planeja. O caminho até a casa do Davi era automático. Conhecia cada curva daquele condomínio como se fosse extensão da minha própria pele. Afinal, eu ajudei a construir tudo aquilo. Ou pelo menos sempre fiz questão de acreditar nisso. Cheguei à portaria

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