ISABELA NARRANDO Fui pro banheiro ainda com o corpo quente, a cabeça leve, tentando organizar os pensamentos enquanto a água da ducha caía. Me limpei devagar, respirei fundo, deixei o espelho embaçar. Aquele dia tinha sido intenso demais pra caber só no corpo. Quando voltei pro quarto, o Davi já tava ajeitado de novo, encostado na cabeceira, com aquele sorriso tranquilo que só aparece quando ele tá em paz. — Vem cá — ele disse, abrindo espaço ao lado dele. Deitei, encaixando a cabeça no ombro dele, ainda sentindo o coração desacelerar. Fiquei alguns segundos em silêncio, só ouvindo a respiração dele, até a preocupação bater — não como medo, mas como cuidado. — Amor… — comecei, escolhendo as palavras. — A gente tem transado bastante. E a gente não tem usado camisinha. Não é bronca, tá?

