ISABELA NARRANDO Eu fiquei ali do lado dele, sentada na poltrona dura do quarto, aquelas de hospital que nunca são confortáveis de verdade, mas naquele momento isso era o que menos importava. A luz tava baixa, o barulho distante de outros quartos, passos no corredor, aquele cheiro típico de hospital que mistura limpeza com cansaço. Eu segurei a mão dele com cuidado, fazendo carinho devagar, com o polegar, sentindo a pele quente, o pulso firme. Ele, com a outra mão, passou os dedos pelo meu cabelo, lento, quase distraído, como se aquilo fosse o único jeito de se manter ancorado ali. Aquilo me acalmava mais do que qualquer resposta médica. — Já melhorou? — perguntei baixo, olhando pra ele com atenção, tentando ler cada micro expressão. — Melhorou… — ele respondeu, respirando fundo. — Por

