Isabela - Continuação O clima mudou de um jeito tão sutil que, se eu não estivesse atenta, talvez nem percebesse. Mas eu percebi. Primeiro foram os olhares. Aqueles que começam no salto, sobem devagar pela perna, param um segundo a mais na f***a do vestido, passam pelo b***o e só então chegam no rosto. Não era curiosidade. Era julgamento. Depois vieram as risadinhas baixas. Comentários jogados no ar, sem endereço certo, mas com alvo definido. — É… a gente tem que cuidar muito bem dos nossos maridos, né? — uma delas disse, girando a taça de champanhe com ar divertido. — Deus me livre eles se acidentarem… vai que aparece uma cuidadora muito dedicada. Algumas riram. Eu segurei a taça com mais força, mas mantive o sorriso educado. Aquele sorriso que a gente aprende a usar quando não que

