DAVI NARRANDO Quando a Isabela saiu do quarto toda feliz, toda acesa, toda iluminando aquela casa que até ontem era cinza eu fiquei sozinho ali em cima. Sozinho no quarto que eu não pisava há meses. Sozinho no espaço que, um dia, já foi meu templo… e que depois do acidente virou um território proibido, um lembrete de tudo que eu tinha perdido. Mas naquela manhã… eu quis tentar. Eu empurrei a cadeira até a beira da cama devagar, sentindo aquele silêncio gostoso que só quarto grande tem. O cheiro do meu próprio perfume ainda impregnado nas roupas, nas cortinas, no ar. A luz entrando pelas janelas enormes, iluminando tudo com aquele tom quente. Parei ao lado da cama e fiquei olhando como se ela fosse uma montanha a ser escalada. Fazia tanto tempo… tanto, que eu nem lembrava mais da sensaç

