DAVI NARRANDO O silêncio que caiu depois da fala do meu advogado foi quase bonito. Daqueles silêncios que dizem mais do que qualquer discurso. A Bianca foi a primeira a quebrar. Ela se inclinou pra frente, os olhos arregalados, a voz subindo de tom conforme as palavras saíam atropeladas. — Como assim? — ela disparou, sem esperar autorização. — Como assim eu vou sair de um casamento de anos sem nada? Isso é impossível! Eu fui esposa, eu fui companheira, eu estive ali quando ele precisou! Eu abandonei coisas, eu aguentei muita coisa calada! Ela falava rápido. Demais. As mãos gesticulavam, o corpo inteiro pedia atenção. Era a performance perfeita da vítima injustiçada. — Ele sempre me traiu! — continuou. — Sempre! Eu sabia de tudo, eu via tudo, mas ficava quieta, engolia, mantinha a pos

