Ele relaxou um pouco os ombros. — Obrigado por entender. Olhei pra ele, praquele homem que vinha de uma audiência pesada, que carregava um mundo inteiro nas costas — e agora tentava encaixar o meu mundo no dele sem quebrar nenhum dos dois. — Mas você vai comer, né? — perguntei, tentando puxar um sorriso. — Porque a carne tá perfeita. — Não. Ele ficou ali parado mais um segundo, como se ainda estivesse organizando tudo por dentro. Eu conheço aquele jeito. Quando ele fica quieto demais, não é frieza é controle. Sem dizer nada, fui até o closet. Peguei uma bermuda leve, de tecido fresco, daquelas que ele gosta pra ficar em casa. Voltei devagar. — Vem — falei, suave. — Troca de roupa. Ele me olhou por um instante, como se fosse discutir. Mas não discutiu. Só respirou fundo e deixou. A

