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ISABELA NARRANDO Eu terminei de ajeitar os pratos com aquele cuidado quase automático de quem cresceu vendo a mãe fazer comida como ato de amor. O feijão tinha ficado no ponto certo, grossinho, com o tempero bem feito, cheiro de alho e cebola refogados na medida. O arroz branquinho, soltinho. O contrafilé… grande, suculento, com a gordura dourada e a cebola derretendo por cima. As batatas fininhas, crocantes, do jeito que eu gosto. Coisa simples, mas feita com vontade. Quando eu coloquei o último prato na mesa, senti o olhar dele em mim. Aquele olhar quieto, atento, que não precisava de palavra nenhuma pra dizer tudo. O Davi tava ali, na cadeira, com o corpo levemente inclinado pra frente, como se estivesse absorvendo cada detalhe meu: o jeito que eu me movia, como eu arrumava os talhere

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