FÁBIO NARRANDO Quando a porta do prédio fechou atrás de mim, eu senti o impacto de verdade. Não foi rejeição. Também não foi aceitação. Foi realidade. Entrei no carro, liguei o motor e saí devagar, sem pressa nenhuma de chegar a lugar algum. Abri o teto, deixei o vento bater no rosto, tentando organizar a cabeça que tava uma bagunça completa. Eu tinha falado. Tudo. Sem filtro. Sem jogo. Sem desculpa bonita. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não tava me sentindo um covarde. Dirigia pelas ruas quase no automático, olhando os prédios passarem, os sinais abrirem e fecharem, e a única coisa que vinha na minha cabeça era ela. Kelly sentada no sofá, braços cruzados, firme, lúcida, sem drama. Ela não me expulsou. Não gritou. Não me humilhou. Mas também não me acolheu do jeito fácil que e

