— Que saco — murmurei, fechando a porta. Fui caminhando até o meu closet — meu verdadeiro templo sagrado —, aquele paraíso organizado onde tudo era perfeito, alinhado, impecável. Ali eu jamais deixaria que transformassem em quarto adaptado do térreo. Jamais. Abri as portas enormes e inspirei fundo com satisfação ao ver minhas roupas por cor, meus sapatos alinhados como soldados, minhas bolsas expostas como obras de arte. Tudo ali era meu, conquistado à base de convivência estratégica, escolhas calculadas e uma boa dose de charme. Eu não ia abrir mão disso para virar enfermeira de marido aleijado. Isso eu não ia fazer. Entrei no banheiro imenso, onde o mármore branco brilhava e a hidromassagem parecia me chamar pelo nome. Tirei o roupão, deixei-o cair no chão e liguei o chuveiro no modo c

