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DAVI NARRANDO A subida da Rocinha era daquele jeito: caótica, viva, barulhenta. Moto passando rente ao carro como se quisesse arrancar o retrovisor, gente andando no meio da pista, criança correndo, cachorro atravessando sem olhar pros dois lados. E eu ali, dirigindo com a mão firme no adaptador, o Fábio do meu lado dizendo “meu Deus do céu” de dez em dez segundos. O som do baile batia no peito mesmo de longe. Grave forte, MC gritando, multidão berrando junto. Aquele eco de favela viva, pulsando. Eu estacionei no único canto que dava, meio torto, mas f**a-se. Desliguei o motor e fiquei só ouvindo o barulho da respiração acelerada no carro… a minha e a do Fábio. Ele olhou pro alto e falou: — Mano… olha isso. O baile tá rachando hoje. Eu nem respondi. Peguei o celular, disquei o número

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