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BIANCA NARRANDO Eu nunca pensei que fosse voltar pra aquela casa. Nunca. Aquele lugar era um passado que eu tinha enterrado com força, trancado num canto da memória junto com tudo que eu prometi pra mim mesma que nunca mais ia viver. Casa simples demais, pequena demais, silenciosa demais. Nada de mármore, nada de pé-direito alto, nada de empregados andando pra lá e pra cá. Só eu, as paredes brancas meio encardidas, o eco dos meus próprios passos e uma raiva que não cabia no peito. Eu andava de um lado pro outro como um bicho enjaulado. Chorava, limpava o rosto com a mão, depois vinha aquela vontade absurda de quebrar tudo. Joguei um copo na parede. Ouvi o vidro estourar e, por um segundo, senti alívio. Pouco. Muito pouco. Porque a imagem dela vinha de novo. Daquela cuidadora ordinária,

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