ISABELA NARRANDO O almoço tava gostoso de um jeito leve. Sabe quando você sente que tá vivendo e não só existindo? Era exatamente isso. A mesa cheia, sol entrando pelas janelas do restaurante, vinho branco geladinho, risada solta. Eu olhava em volta e pensava: caraca, eu tô feliz. Feliz de verdade. Sem medo, sem pisar em ovos, sem fingir ser alguém que eu não sou. A Kelly tava animadíssima, falando com as mãos, já planejando mil coisas. — Semana que vem a gente podia fazer um passeio diferente — ela disse. — Praia, lancha, essas coisas de gente rica que eu nunca fiz. Eu ri. — Gente rica nada, Kelly. — brinquei. — Eu levo miojo e tá tudo certo. O Fábio entrou na onda na hora. — Lancha é uma boa, hein, Davi? — ele falou. — Bora fazer isso logo. O Davi deu um gole no vinho, tranquilo

